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quimica12



Quarta-feira, 12.09.12

Química 12 Ano

O número de horas para lecionar o programa de Química no 12º ano foi reduzido em um terço. No entanto, é suposto lecionar-se exatamente o mesmo programa. Numa altura em que se fala muito sobre o reforço das disciplinas nucleares parece um contrassenso. Que seja do nosso conhecimento, as escolas não receberam qualquer indicação sobre o modo como devem gerir o programa de modo a acomodar esta nova realidade.

 

Para que os professores e as escolas possam colocar as suas dúvidas e sugestões, a SPQ abre desde já um espaço de debate e troca de opiniões. Numa fase posterior, mas não mais tarde que a próxima semana, as dúvidas levantadas serão compiladas num documento que será divulgado e que a Sociedade encaminhará para a Secretária de Estado e para o Ministro da Educação.

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por quimica12 às 11:45


29 comentários

De Manuel Fernandes a 12.09.2012 às 14:48

Antes de mais, devo referir que já lecionei o 12,º de Química, quando eram as 7 horas para os alunos, e todo o tempo foi pouco para acabar de lecionar o programa.
Se estivesse e lecionar conforme é atualmente pedido, confesso que não iria acabar o programa, fazê-lo é impossível; no entanto, infelizmente é o que constato que sistematicamente acontece, o programa vai ser lecionado por toda a gente na íntegra, porque há "medo" de que sejam (caso não o façam) considerados incompetentes, inaptos ou algo do género. Estou em crer que é isto que vai acontecer e que o Ministério vai apenas tirar a seguinte conclusão: Se conseguem lecionar isto em 4 h por semana para quê as 7 h (no caso dos professores, 10)?. Não esqueçamos que isto (também) poupa dinheiro...

De mariovalente a 12.09.2012 às 15:28

Já lecionei Química quando era disciplina de exame (desde 1997/98), já vi muita coisa acontecer, como por exemplo, nos anos de transição entre o anterior e o novo programa lecionei química do 12º (programa novo) e física e química A (programa novo) mas com a parte prática integrada em Técnicas Laboratoriais de Química (programa antigo) a alunos que concorriam para os mesmos lugares no ensino superior.

Sempre me entristeceu ver que a SPQ , da qual sou sócio (com intermitências) já há aproximadamente duas décadas, sempre se mostrou algo elitista e indiferente à vida no ensino secundário Por isso saúdo vivamente o recente interesse da SPQ nestes assuntos. Esperemos que não peque por demasiado tardio.

Dito isto, tem-se verificado um paulatino desaparecimento da química no ensino secundário, que sob a forma de redução de horas e de disciplinas quer por adoção de programas anódinos, incapazes de estimular o interesse dos alunos por uma área de importância tão fulcral. Tudo isto se passa sob a capa de supostas melhorias e ajustes pedagógicos, privilegiando referências a CTSA's (Ciência, Tecnologia, Sociedade e Ambiente) e outras demagogias, como se os alunos vindos do básico ao ingressarem no 10º ano, soubessem já bastante química para poder apreciar a nucleossintese estelar (que não é química!) ou as reações químicas na atmosfera, com radicais livres, etc , etc , etc ...

A redução de horas do 12º de química é apenas mais uma machadada no ensino deste tão belo ramo da ciência. Claro que nós, os professores, faremos das tripas coração para lecionar o programa o melhor que sabemos e podemos mas não somos imensos e não temos, como nunca tivemos, apoio para algum tipo de pressão sobre o ministério. Caminhamos para que a química seja uma mera curiosidade, opcional, no ensino secundário.

De Marília Peres a 12.09.2012 às 16:37

Agradeço à SPQ por esta iniciativa, embora seja um pouco tardia, poderá ainda ser útil.
As escolas poderiam optar por se organizarem em tempos de 45 min ou de 50 min . No primeiro caso, a Química terá 180 minutos semanais em vez dos 315. No segundo caso passa para 150 minutos, o que é menos de metade e não um terço, como a SPQ refere (penso que não estou enganada). Além disso, deixou de existir o bloco de 135 minutos que era útil nos trabalhos de laboratório mais complexos.
A hipótese de leccionar o programa todo é completamente irrealista e espero que não seja uma opção das escolas.
Na minha opinião este assunto deveria ser visto do ponto de vista dos alunos que possuem o bom senso de se inscrever nesta disciplina, apesar de existirem outras, talvez mais simples, por considerarem que esta lhes irá proporcionar uma melhor formação para os cursos superiores. Quais são os conteúdos que devem ser leccionados obrigatoriamente?
Cumprimentos
Marília Peres

De Fernanda Quinta a 12.09.2012 às 21:59

Agradeço à SPQ o interesse pelo que se está a passar no ensino secundário. Até que enfim...
Vou lecionar a Química do 12º ano e estou muito preocupada com a qualidade de ensino que se vai fazer. Penso que a redução para 180 minutos semanais, na minha escola, pois podem ser só 150 minutos é acabar com a orientação cientifico - humanista do ensino da Química. Na minha escola a área de ciências físico-químicas distribuiu, de acordo com as orientações do programa, os conteúdos pelo número de aulas disponível deixando por lecionar a terceira unidade didática. Gostaria que todas as escolas fizessem o mesmo pois só com uma ação concertada se consegue alguns frutos

De J.C. a 13.09.2012 às 00:32

Caros colegas da direção da SPQ, obrigado por finalmente e aparentemente se preocuparem com o ensino da Química em Portugal. Infelizmente em relação a este problema esta acção peca por ser tarde!
Assim:
1º- Não é verdade que a redução seja de um terço: passamos de 7 tempos para 4 tempos! A redução é MAIOR!
2º- É impossível alguém, de um MODO SÉRIO, dar o programa que está homologado com esta carga horária.
3º- Como ainda não chegou às escolas qualquer indicação, uma solução é os colegas fazerem cortes (está na moda!) no programa. A outra solução é Relvar. (relvar=ato de criar relva(s))

Sabendo que possivelmente estou a ser injusto, é pena que quer as nossas sociedades científicas não esclareçam melhor a opinião publica sobre esta trapalhada.

De Maria Isabel Reis a 13.09.2012 às 09:27

Nas orientações para a organização do ensino da Química, do Programa homologado, pode ler-se: "É nesta perspectiva que muitos investigadores em desenvolvimento curricular vêm defendendo que a educação em Ciências deve perseguir ideais de cultura científica dos alunos, por oposição a uma lógica de mera instrução científica, que promovam o desenvolvimento pessoal dos alunos e lhes permitam alcançar uma participação social esclarecida."
A redução horária para o desenvolvimento curricular não permitirá o cumprimento do programa e vai promover a lógica da mera instrução científica, com a eliminação das atividades práticas de sala de aula, diminuição das atividades laboratoriais de opção, diminuição dos trabalhos de grupo, que implicam mais tempo e são essenciais para a motivação dos alunos e para o seu desenvolvimento pessoal.
É urgente que sejam dadas orientações às escolas sobre os ajustes necessários, deixando claro que partes do programa serão eliminadas, ou se o objetivo é mesmo uma mera instrução científica em oxidação-redução ", ácido-base ", "equilíbrio químico" e "energia das reacções", eliminando toda a perspetiva Sociedade - Ciência -Tecnologia.
Se for esta última a opção, vai-se perder o desenvolvimento duma outra visão da Química, como referem os alunos no final do 12º ano, e que vai permitindo captar alunos para esta área científica. Já é lamentável ver todas as vagas no Ensino Superior que não são preenchidas a Química e ainda vamos piorar esta situação!
Isabel Reis

De Maria Fernanda Correia a 13.09.2012 às 15:00

Já leciono a Química do 12ºano há cerca de 20 anos mas este está a começar de modo muito confuso. Ora como não há qualquer orientação sobre os conteúdos a dar este ano, pois é impossível cumprir o programa em vigor com esta carga horária, comecei por entrar em contato com os meus ex-alunos de 12º ano, atualmente alunos universitários sobre os temas que achavam mais importantes, que servissem de pré-requesitos para as cadeiras que frequentavam na faculdade. Recebi imensas respostas, de alunos de engenharias, enfermagem, farmácia, medicinas etc. Claro que as opiniões destes alunos são bastante diversas ( e valem o que valem...) no entanto constato que há um conjunto de conteúdos fundamentais que referiram, tais como: metais ; tabela periódica e propriedades periódicas;conceitos fundamentais de redox, células eletroquímicas; complexos; equilibrio ácido base e soluções tampão; nomenclatura de quimica orgânica incluindo as familias de compostos orgânicos;isomeros; geometrias moleculares; ligações intermoleculares e estados físicos; energia associada às reações quimicas; polimeros. Não referiram os diversos itens associados à Quimica em Contexto, como os problemas ambientais, combustiveis alternativos, poluição.....Deram também importancia às actividades pratico-laboratoriais e às actividades de projeto.
Neste momento estou a tentar fazer uma planificação, dando relevo a estes e outros conteúdos que acho importantes, mas claro o que espero é que surjam instruções superiores!!. Nâo gostaria de eliminar à partida a unidade 3. Plásticos, vidros e novos materais, pois contém temas muito atuais e motivadores para alunos que queiram seguir aa áreas de engenharia.

De Marília Peres a 13.09.2012 às 22:07

No site da Direcção Geral da Educação http://www.dgidc.min-edu.pt/, podem encontrar nas "perguntas e respostas à revisão curricular" a necessidade de seleccionar os conteúdos estruturantes.
Penso que a SPQ poderia dar uma ajuda nesta selecção.
Cumprimentos.

De Marcela Segundo a 14.09.2012 às 11:34

Obrigada, Marília! Vou consultar a página que indicou.

De Gabriela Silva a 13.09.2012 às 22:53

Tenho experiência de lecionar química ao 12º ano, com uma carga horária de 315 minutos dos quais 135 se destinavam a aulas práticas. Sou professora num colégio privado com contrato de associação cuja direção optou por tempos letivos de 60 minutos . Disponibilizou 3x60 minutos para a disciplina, tendo atribuído apenas 60 minutos às aulas práticas.
Considero logicamente, que terá que se fazer cortes e também que parte substancial desses cortes deverão ser nas atividades experimentais que são mais demoradas. No entanto surge o problema da avaliação continuar a considerar um minimo de 30% para a componente prática experimental ( ver portaria 243/2012, artigo 7, alínea c) e os exames de equivalencia à frequência previstos continuarem a ser compostos por 90minutos teóricos+90 minutos práticos estes com 30 de tolerância. Se por um lado os 60 minutos atribuídos à prática na minha escola são insuficientes, por outro lado se fossem atibuídos 60+60, só restariam 60 para a componente teórica.
O programa da disciplina desenvolve muitos conteúdos que já foram abordados no 10 e 11º ano , alguns de forma excessiva, e aborda novas matérias que são extremamente necessárias na universidade e que não foram lecionadas anteriormente, compostos orgânicos, polímeros, teorias da ligação química, etc.
Considero que a unidade 3 não deve de modo nenhum ser eliminada pois nela os alunos abordam pela primeira vez os novos materiais que serão o futuro em aplicações médicas, em construção, eletrónica etc.
É dificil escolher, irei debater o assunto com os alunos, os vossos comentários serão também muito importantes , mas o tempo está a pressionar´, as planificações estão a ser feitas.
Gabriela Silva

De Marília Peres a 14.09.2012 às 14:28

Viva colega,

A química faz-se no laboratório! Tem de ser possível fazer alguma prática. Pelo menos alguns dos trabalhos menos demorados.

Cumprimentos
Marília

De Gabriela Silva a 14.09.2012 às 19:42

Tem toda a razão, no entanto poucas são as atividades que se conseguem terminar em 60 minutos. Estou a tentar verificar quais de modo a ter elementos de avaliação para satisfazer os 30%. Creia que não é fácil....

Cumprimentos

Gabriela Silva

De Anónimo a 14.09.2012 às 17:50

Caros colegas
Apraz-me que finalmente, se questione e se partilhem opiniões acerca do “atentado” a que a Química tem vindo a ser alvo nestes últimos anos.
Concordo com muito do que aqui já foi dito, sem dúvida que esta discussão deveria ter sido encetada aquando, da proposta de Revisão Curricular, temo que seja tarde….Mas mais vale tarde, do que nunca!
Este ano vou lecionar Química em apenas dois blocos de 90 min , ao todo tenho disponíveis 62 blocos, descontando os testes, as aulas de impedimento ficam, aproximadamente 48 blocos, para lecionar um programa curricular previsto para 82 blocos. Portanto, temos muito que cortar…Já estamos habituados!
A SPQ deve, a meu ver, tornar publico este decréscimo de horas disponíveis para a disciplina contrariando o apregoado “reforço nas Ciências Experimentais”.
Por outro lado, considero que deveria haver alguma orientação pedagógica, no sentido de tentar uniformizar os “Cortes de Conteúdos”. Eu já tenho uma planificação com um mini ” Programa de Química…Mas sinceramente, comparando com o original, até parece que estamos a brincar!
Pela minha experiência e pelo feedback dos alunos, pretendo continuar a dinamizar atividade experimental , embora vá ser difícil terminar algumas atividades no bloco de 90 min .
Vamos mantendo alguma serenidade, no meio desta confusão…

Alda Ceia

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